RO - Domingo, 22 de Outubro de 2017
Atualizada: 02/06/2016 17:15:55

Viúva de vaqueiro estrangulado diz que ele implorou para não morrer

Em Espigão, o patrão da vítima é principal suspeito de ter cometido o crime. Homem foi morto na frente dos filhos, de 2 e 4 anos de idade.

vaqueiro espigão (Foto: Sirlene Saldanha/Arquivo Pessoal)O vaqueiro Cleverson, de 27 anos foi morto na frente dos filhos após uma discussão (Foto: Sirlene Saldanha/Arquivo Pessoal)

"Pediu chorando para o homem não lhe matar", relata Sirlene Saldanha, sobre o último pedido do marido Cleverson Carneiro, antes de ser estrangulado pelo patrão na frente dos dois filhos. O vaqueiro foi morto no último dia 26, na Linha Mato Grosso, zona rural de Espigão d'Oeste (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho.

Segundo Sirlene, de 23 anos, após uma discussão, seu marido Cleverson de 27 anos foi espancado e estrangulado na frente dos filhos pequenos, de 2 e 4 anos. Antes de morrer, ele teria chorado e implorado para o suspeito. A viúva diz que o marido foi assassinado porque falou alto com patrão.

"Depois de ser agredido no curral, meu esposo pegou a moto do vizinho, colocou os dois meninos na garupa e seguiu para a casa do pai dele, afim de arrumar um caminhão para carregar as nossas coisas da fazenda. Porém, o patrão entrou no carro e foi atrás deles, conseguiu alcançar, bateu o veículo na traseira da moto, que caiu com os três, com isso, ele pegou um pedaço de pau e bateu na cabeça do Cleverson. Na sequência, ele o estrangulou até a morte. Isso tudo aconteceu na frente das crianças, tanto que meu menino de 4 anos conta que o pai dele pediu chorando para o homem não lhe matar", revelou. 

Depois de encontrar o marido morto na estrada, Sirlene afirma que teve que correr com as crianças para o pasto para não serem atropelados pelo suspeito que jogou o carro em cima deles.

Sirlene conta que o filho de 4 anos que presenciou a morte do pai viu ele chorar e implorar para não ser morto (Foto: Rogério Aderbal/G1)Sirlene conta que o filho de 4 anos que presenciou a morte do pai viu ele chorar e implorar para não ser morto (Foto: Rogério Aderbal/G1)

A discussão teve início, segundo a esposa, porque o vaqueiro levantou um pouco tarde para tirar o leite. "A gente levantava todos os dias às 3h, só que naquele dia meu marido não dormiu direito por causa de uma dor de dente e acabou acordando um pouco mais tarde. Mesmo assim ele tirou o leite de todas as vacas, mas quando iria levar o produto para o resfriador, o patrão chegou e começou a xingar e reclamar que os bezerros iam morrer de fome, mas o Cleverson disse que não queria brigar por ele ser mais velho", conta.

De acordo com Sirlene, esse argumento não foi suficiente para o proprietário da fazenda  encerrar a discussão. "De tanto ele xingar, o Cleverson gritou como ele. E quando foi colocar o galão de leite nas costas, ele pegou um pedaço de pau e bateu umas quatro vezes na cabeça do meu marido. Preocupada com a situação, falei para ele não reagir, se não perderíamos os direitos, mas não adiantou nada, pois ele acabou morrendo de uma maneira covarde", desabafa.

Ainda de acordo com ela, a família morava há dois meses na fazenda, e o leite era comercializado em parceria. "Ele tinha combinado com meu marido que a gente moraria na fazenda e dividiria o dinheiro da venda do leite, que dava em torno de R$ 1 mil para cada um", disse.

Sem vingança
Após a morte do marido, Sirlene se mudou com três filhos para a casa dos pais em Cacoal (RO). Ela ainda teme pelo futuro dos filhos. "Eu não quero vingança. Apesar de ter um pouco de medo dele, queria que ele me ajudasse a conseguir uma casa para nós morar e que me auxiliasse no sustento dos meus filhos, pois ele tirou a vida de quem era responsável por essa tarefa. Penso que isso é mínimo que ele pode fazer em prol da família que foi destruída  por ele", diz.

pai do vaqueiro espigão (Foto: Rogério Aderbal/G1)O pai do vaqueiro relembra a última troca de palavras com o filho antes dele ser morto (Foto: Rogério Aderbal/G1)

Última conversa com o pai
O pai da vítima, o agricultor João Mendes Carneiro, de 53 anos, conta que chegou a presenciar algumas discussões entre o filho e o patrão. "As vezes eu ia com o Cleverson para ajudá-lo a carregar o tambor de leite e sempre o patrão dele aparecia por lá e logo começava a reclamar de várias coisas, mas meu filho nunca falava nada, quando respondia era de maneira educada", relata.

João Mendes conta também que no dia da morte do filho as últimas palavras entre os dois foi de carinho. "Quando estava saindo fui até o curral e falei, filho estou indo, e ele me disse vá com Deus, então respondi fique com e cuidado com essa vaca brava. Na sequência, ele me falou o senhor tome cuidado com cobras lá no mato. Poucas horas depois recebi a notícia que estava morto. A partir daquele momento minha vida acabou", disse emocionado.

O caso foi registrado na delegacia de Polícia Civil, onde está sendo investigado. O suspeito está foragido da justiça.